domingo, outubro 08, 2006

What are we living for?

Se pusermos de parte e a existência de um ser supremo, de uma lei cósmica, do karma... etc., chegamos à (triste?) conclusão que a vida é aleatória.

Completa e totalmente aleatória. Hoje estarmos bem, no topo do nosso mundo, não nos garante que amanhã, ou mesmo logo à noite, não tenhamos um acidente, uma perda, um cancro.

É uma realidade dura, complicada de aceitar, brutal.

Há uns anos atrás, ouvi uma mulher em choque com a morte da mãe a dizer como se fosse a verdade evidente que sempre ignorara: "Nós não somos nada." - Num tom calmo, no meio do choque. E repetia: "Meu Deus, nós não somos nada... Somos pó!"

O facto é que se virmos a realidade da forma mais racional e céptica possível, concluimos exactamente isso: a vida é completamente aleatória e há muito pouca coisa que controlemos nela.

A única coisa que não é arbirária nesta vida são as escolhas que fazemos, as opções que tomamos.

E num mundo em que tudo é arbitrário é muito difícil definir linhas e conceitos básicos como "verdade" ou "bem". A única coisa que realmente podemos saber é que, independentemente de a vida ter ou não um sentido, estamos todos cá.

E se uns estão melhor, outros estão pior. Compete-nos ajudar-nos uns aos outros, no sentido de cada um de nós poder procurar a sua felicidade, à sua maneira.

O meu amigo é uma destas pessoas. Para mim, personifica o melhor da minha geração, pela integridade, pela capacidade de iniciativa e liderança, pela lealdade para com os amigos, pela capacidade de movimentar massas.

É uma daquelas pessoas que concretiza a capacidade que cada um de nós tem de mudar o mundo ou, pelo menos tentar fazê-lo e ter impacto.

É o acreditar que não há nada a fazer para mudar o sistema ou melhorá-lo, o "não me importo com nada", que apelidaram as gerações mais recentes de "rasca".

O meu amigo é a prova viva do oposto. Eu sei - sei mesmo - que ele vai superar esta provação e, quando o fizer, vai amadurecer para se tornar no grande líder que sempre foi, influenciando mais gente na busca de um caminho que, embora não seja o que eu escolheria, uma vez que estamos quase sempre em desacordo, será certamente um esforço construtivo no sentido da felicidade humana.

E é por isso que o consumir daquele que representa o melhor da nossa geração faz deste linfoma uma parte importante do cancro que corrói a nossa sociedade.

3 comentários:

Sofia disse...

Força!!

Alegrão disse...

É verdade, não somos nada. Mas alguma coisa fazemos neste mundo, de alguma maneira somos importantes para alguém, ainda que por vezes pensemos que não.
O corpo humano é muito mais resistente que o que pensamos, e a cabeça é muito importante, é ela que nos faz concentrar toda a força nele existente. Força!!!

Anónimo disse...

I think we are more than we think : )