A minha rua interior
A minha rua interior
Está cheia de buracos
O trânsito está um caos
E nem as velhinhas
Usam as passadeiras
A polícia fez greve
E sucedem-se as ultrapassagens
Loucas
Toda a gente estaciona onde
Entende
Os cruzamentos não têm sinalização
Está tudo entupido
Por causa de um choque em cadeia
Em missão de socorro urgente,
Todos buzinam
E os peões
Escapam por uma unha negra
Dos perigosos
Condutores
A minha rua interior
Não tem só dois sentidos
Divide-se em secções
De amor, amizade,
Ambição, ódio e
Outros (des)conhecidos
A minha rua interior
Está cheia de buracos
O trânsito está um caos
E nem as velhinhas
Ousam usar as passadeiras
A polícia fez greve e
Não declarou se era de zelo
Os transeuntes fizeram uma manifestação,
Em causa de desespero
Sucedem-se ultrapassagens
Loucas
Cada valor quer ir à frente do
Outro
Na pole position vão duas mulheres
Histéricas e roucas
Aperto os parafusos, desaperto as
Porcas
E tento desesperadamente
Arranjar os semáforos
Que insistem em estar
Em consonância incompatível
Com o tráfego fluído.
A minha rua interior está
Um caos
Mas, algures, há um polícia
Sinaleiro
Que tenta desesperada e
Quase insanemente
Pôr um pouco de ordem
Nos cruzamentos
E deixar as passadeiras
Livres
E conciliar os condutores
E juntar os litigantes na
Berma da estrada...
Mas, para já,
Continua tudo igualmente
Louco,
Ignorante de um código
Ainda a ser construído,
Desejando chegar mais depressa
Ao seu destino, mesmo
Sem saber qual
E a que horas lá devem estar...
... E pronto, lá se foi a minha credibilidade enquanto candidata a poeta... lol :P
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