"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
quarta-feira, julho 07, 2010
Salteando momentos
A luz do fim de dia doura a paisagem, tornando tudo um pouco mais laranja e rosa. O rio que faz curvas apertadas antes de passar debaixo da ponte, a alfândega, a estrada que quase replica o rio, a ponte altiva, os carros na sua dança inconsciente, as pessoas-formigas, a outra margem.
Uma leve brisa fresca de agita-cabelos-soltos.
Cheiro de água. Fresca e corrente, que está prestes a chegar ao mar.
Barulho de conversas alheias ao longe, alguém a sacudir um tapete, uma vassoura a varrer o chão, crianças a jogar futebol na distância.
O rio ensurdece, ao ponto de não se ouvir de todo.
O sal do suor dos dias cálidos, como este, na boca. E uma réstia de água fresca, engarrafada.
A saia faz um balão com a brisa e sobe despudorada. As mãos apoiam-se no granito fresco e rugoso dando a cara um pouco mais à brisa leve.
domingo, novembro 25, 2007
Sei os teus seios
Sei os teus seios.
Sei-os de cor.
Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!
Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?
Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.
Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.
Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser
domingo, agosto 26, 2007
- O que achas que a tua mãe queria dizer?
- Que todas as minhas indecisões... estar dividida entre Paris e Israel, judeus e palestinianos, São Jorge e o dragão... podiam nunca ter fim. O importante é não parar enquanto esperamos para decidir. Já não sou rapariguinha nenhuma. Tinhas razão naquilo que disseste sobre não entrar em greve outra vez. Apesar do meu medo, e de tudo o que fiz de errado, e de todos os meus graves defeitos, tenho é de não parar de andar."
Richard Zimler, in "À procura de Sana", pp. 279
sábado, agosto 18, 2007
Só de Sacanagem
(Elisa Lucinda - narrado por Ana Carolina)
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até hábeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu
povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
domingo, maio 27, 2007
Morreste-me
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viuva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.
José Luís Peixoto
domingo, agosto 20, 2006

No dia 26 de Maio no Bar do CineTeatro de Estarreja pelas 23h00, fui ver Os Dias Felizes, de Samuel Beckett, em paralelo com a exposição Cem Beckett.
Apesar de ser uma Sexta e eu ter trabalhado 12 horas nesse dia, consegui aguentar-me pelas cerca de 2h30 que durou a peça... E ser tocada profundamente pela mesma.
Não é uma peça fácil. É uma metáfora mais ou menos densa. A Winnie, personagem principal (só há mais uma personagem que é o Willie e mesmo esse só aparece no fim da peça), está enterrada até à cintura e salienta com frequência que vive "Dias felizes", apesar de não ter mobilidade, ter os seus bens a terminar, carregar uma arma na carteira e ser casada com um homem que não lhe fala a maior parte do tempo, nem tão pouco lhe aparece.
O que me tocou e me fez pensar neste cenário absurdo (não fosse Beckett um ícone do teatro do absurdo) foi que Winnie está tão obcecada em ter e afirmar que tem uma vida feliz, que passa a peça toda a tentar convencer-nos e convencer-se a si própria de que é feliz, sem nunca, em momento algum fazer qualquer movimento para se libertar do monte de terra que a mantem presa até à cintura.
Eu conheço pessoas assim. Presas até até à cintura, imóveis na sua vida infeliz de superficialidades cómodas, que aclamam os dias felizes que vivem... Mas que não têm mais ninguém no seu universo a não ser elas mesmas e talvez um companheiro com quem nem sequer têm grande ligação... Pessoas em constante negação das suas limitações e dificuldades, tão obcecadas com o estar bem que não chegam a fazer nada para chegar a esse patamar...
E a peça fez-me pensar sen eu, uma pessoa tipicamente optimista, serei assim.
"Dias felizes" de Samuel Beckett relembrou-me que a insatisfação com a própria vida, a infelicidade e os maus momentos desempenham um papel importante na vida de cada um de nós: são o motor da mudança, aquilo que nos faz mexer.
Se acharmos que vivemos dias felizes o tempo todo, nunca faremos mudanças reais na nossa vida, seremos lentamente soterrados pela terra do tempo, até que um dia estaremos até ao pescoço em solo... Talvez aí mais valha não nos lembrarmos do que queríamos em primeiro lugar, porque não temos qualquer espaço de manobra...
Para saber mais sobre os "Happy Days", ou ter outras perspectivas,
http://www.sparknotes.com/drama/happydays/canalysis.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Happy_Days_%28play%29
(por exemplo)
Tenho vontade de de rever esta peça...
sexta-feira, junho 30, 2006
quarta-feira, junho 28, 2006
Fibromialgia
"Após a morte da mãe, ela melhorou de forma notável, como se o facto de ter de cuidar do pai, agora viúvo, a tivesse feito encontrar uma razão para viver e uma insuspeitada reserva de energia; mas quando o pai morreu (...), Alice voltou ao estado de prostração anterior."
"Entretando a saúde de Alice não melhorou. Os médicos ingleses franziam o sobrolho, apalpavam, examinavam e finalmente diagnosticaram-lhe "pseudogota" e "um sistema nervoso anormalmente sensível"; receitaram-lhe pílulas e poções, choques eléctricos e banhos de água salgada. Nada produziu efeito."

Lidar com a fibromialgia não e uma tarefa fácil para ninguém, nem para os doentes, nem para os médicos, nem para os familiares, sobretudo para os familiares mais próximos e amigos. Não raras vezes estas pessoas acabam por ficar relativamente isoladas pelo desgaste que provocam nas circundantes. Em "Autor, autor", David Lodge descreve uma forma menos desgastante e muito interessante de lidar com maleita, usada supostamente por Henry James para com a sua irmã mais nova, Alice. Achei que valia a pena partilhar.
"Ao contrario da maioria dos seus amigos e parentes, Henry não achava a hipocondria de Alice nem exasperante nem uma tragédia; achava-a interessante. Parecia-lhe que ela cultivava a sua doença como ele cultivava a sua arte. A doença tinha-se tornado a sua vocação, a sua raison d'être, e de certa forma num instrumento da sua vontade. E ele não podia deixar de observar, por exemplo, que sempre que Katharine Lorig voltava após ter estado a tratar da irmã, Alice tinha uma crise e ficava de cama, para garantir que Katharine ficava a tratar dela. Embora Henry, solícito, seguisse com interesse as experiências de Alice com vários médicos e as descrevesse em pormenor a William nas cartas que lhe escrevia, no fundo nunca esperou que resultassem. Nunca supôs que ela viesse a "melhorar" e nunca se martirizou com vãs esperanças nesse sentido. Cumpria o seu dever para com ela, ia visitá-la e certificava-se de que ela estava a ser bem tratada, mas continuava a viver a sua vida como antes."
(Todas as citações são excertos do romance "Autor, autor" de David Lodge, sobre a vida de Henry James)
domingo, maio 21, 2006
the subtle difference between
holding a hand and chaining a soul
and you learn
that love doesn't mean leaning
and company doesn't always mean security.
And you begin to learn
that kisses aren't contracts
and presents aren't promises
and you begin to accept your defeats
with your head up and your eyes ahead
with the grace of woman, not the grief of a child
and you learn
to build all your roads on today
because tomorrow's ground is
too uncertain for plans
and futures have a way of falling down
in mid-flight.
After a while you learn
that even sunshine burns
if you get too much
so you plant your own garden
and decorate your own soul
instead of waiting for someone
to bring you flowers.
And you learn that you really can endure
you really are strong
you really do have worth
and you learn
and you learn
with every goodbye, you learn...
Veronica Shoffstall, "Comes the Dawn" (1971) ,
in Mirrors and other Insults
segunda-feira, janeiro 30, 2006
domingo, dezembro 25, 2005
Esquecimento
Quando eu morrer,
Sem o cansaço inútil da jornada
- Porque nunca o senti -
Sem o manto sublime da amargura
- Porque nunca chorei -
Sem a réstia de fogo da alegria
- Porque nunca me ri -
Aqueles que me odiaram,
Os poucos que me acolheram
E os muitos que nunca vi,
Hão-de chorar por convenção
Ou sorrir por teimosia.
Mas nunca ninguém se lembrará
Do pobre que nunca riu
Nem chorou
Nem sentiu.
terça-feira, dezembro 13, 2005
domingo, julho 31, 2005
Mudanças
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís vaz de Camões (Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades)
terça-feira, julho 05, 2005
e atingir profundidade,
tem que trazer à mistura
qualquer coisa de verdade.
António Aleixo
domingo, maio 29, 2005
para tu libertad bastan mis alas.
Desde mi boca llegará hasta el cielo
lo que estaba dormido sobre tu alma.
.
Es en ti la ilusión de cada día.
Llegas como el rocío a las corolas.
Socavas el horizonte con tu ausencia.
Eternamente en fuga como la ola.
.
He dicho que cantabas en el viento
como los pinos y como los mástiles.
Como ellos eres alta y taciturna.
y entristeces de pronto, como un viaje.
.
Acogedora como un viejo camino.
Te pueblan ecos y voces nostálgicas.
yo desperté y a veces emigran y huyen
pájaros que dormían en tu alma.
para a tua liberdade bastam minhas asas.
Da minha boca chegará até o céu
o que dormia sobre a tua alma.
És em ti a ilusão de cada dia.
Chegas como o orvalho às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência
Eternamente em fuga como a onda.
Eu disse que cantavas no vento
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles és alta e taciturna.
e entristeces subitamente, como uma viagem.
Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
eu despertei e às vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.
quinta-feira, março 17, 2005
- I believe in the Motherhood of God.
- I believe in the Blessed Trinity of Father, Mother and Child.
- I believe that God is here, and that we are as near Him now as ever we shall be.
- I do not believe He started this world-a going and went away and left it to run by itself.
- I believe in the sacredness of the human body, this transient dwelling place of a living soul,
- - And so I deem it the duty of every man and every woman to keep his or her body beautiful through right thinking and right living.
- I believe that the love of man for woman, and the love of woman for man is holy;
- - And that this love in all its promptings is as much an emanation of the Divine Spirit as man's love for God, or the most daring hazards of the human mind.
- I believe in salvation through economic, social, and spiritual freedom.
- I believe John Ruskin, William Morris, Henry Thoreau, Walt Whitman, and Leo Tolstoy to be Prophets of God, who should rank in mental reach and spiritual insight with Elijah, Hosea, Ezekiel, and Isaiah.
- I believe that men are inspired to-day as much as ever men were.
- I believe we are now living in Eternity as much as ever we shall.
- I believe that the best way to prepare fore for a Future Life is to be kind, live one day at a time, and do the work you can do best, doing it as well as you can.
- I believe we should remember the Week-day, to keep it holy.
- I believe there is no devil but fear.
- I believe that no one can harm you but yourself.
- I believe in my own divinity - and yours.
- I believe that we are all sons of God, and it doth not yet appear what we shall be.
- I believe the only way we can reach the Kingdom of Heaven is to have the Kingdom of Heaven in our hearts.
- I believe in every man minding his own business.
- I believe in sunshine, fresh air, friendship, calm sleep, beautiful thoughts.
- I believe in the paradox of success through failure.
- I believe in the purifying process of sorrow, and I believe that death is a manifestation of life.
- I believe the Universe is planned for good.
- I believe it is possible that I shall make other creeds, and change this one, or add to it, from time to time, as new light may come to me.
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
by Ruyard Kippling
If you can keep your head when all about you
Are losing theirs and blaming it on you;
If you can trust yourself when all men doubt you,
But make allowance for their doubting too;
If you can wait and not be tired by waiting,
Or being lied about, don't deal in lies,
Or being hated, don't give way to hating,
And yet don't look too good, nor talk too wise:
If you can dream -- and not make dreams your master;
If you can think -- and not make thoughts your aim;
If you can meet with Triumph and Disaster
And treat those two imposters just the same;
If you can bear to hear the truth you've spoken
Twisted by knaves to make a trap for fools,
Or watch the things you gave your life to, broken,
And stoop and build 'em up with worn-out tools;
If you can make one heap of all your winnings
And risk it on one turn of pitch-and-toss,
And lose, and start again at your beginnings
And never breathe a word about your loss;
If you can force your heart and nerve and sinew
To serve your turn long after they are gone,
And so hold on when there is nothing in you
Except the Will which says to them: "Hold on!"
If you can talk with crowds and keep your virtue,
Or walk with kings -- nor lose the common touch,
If neither foes nor loving friends can hurt you,
If all men count with you, but none too much;
If you can fill the unforgiving minute
With sixty seconds' worth of distance run --
Yours is the Earth and everything that's in it,
And -- which is more -- you'll be a Man, my son!
terça-feira, fevereiro 01, 2005
Thoreau
domingo, janeiro 23, 2005
"Aos morgados que por aí pululam
Na sequência da afirmação do deputado do CDS, João Morgado, em Abril de 1982, de que «o acto sexual é para fazer filhos», a saudosa Natália Correia repondeu-lhe com o seguinte poema, provocando o riso em todas as bancadas parlamentares:
Já que o coito - diz Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumentosó usou - parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.
O deputado, ofendido com a dedicatória, rispostou que tinha DOIS filhos. Ao que Natália respondeu que bastava substituir truca-truca por truca-truca truca-truca."
(um dos meus posts favoritos de sempre... :)
Fernando és impagável ;) )
sexta-feira, janeiro 21, 2005
Twenty-four years remind the tears of my eyes.
(Bury the dead for fear that they walk to the grave in labour.)
In the groin of the natural doorway I crouched like a tailor
Sewing a shroud for a journey
By the light of the meat-eating sun.
Dressed to die, the sensual strut begun,
With my red veins full of money,
In the final direction of the elementary town
I advance as long as forever is.
Dylan Thomas
