quarta-feira, maio 17, 2006

Never complain and never explain*


Uma coisa que não se vê, não se sente e no entanto está presente em todos os momentos da nossa vida.
Problemas com estas celulazinhas são sempre difíceis de resolver porque elas correm por todo o lado, flutuam por aí e quando faltam... bem, quando faltam, é o cabo dos trabalhos... O pior mesmo é quando há um lobo no meio das ovelhas, quando algo não está bem dentro desta amálgama de "donuts com recheio" (cito a descrição de um glóbulo vermelho a partir de um artigo médico americano). Nessa altura e sem saber muito bem porquê, nem ter muito controlo sobre a situação, acontecem uma data de coisas aparentemente inexplicáveis e um bocadinho "suspeitas".
Por estas e por outras, desde que descobri que a minha esferocitose está pior e tenho que ir com maior regularidade ao hospital por questões que muitas vezes parecem menores ou irrisórias, aviso logo "Sabe, eu na realidade não estou doente, estou é a tentar chamar a atenção da minha mãe. Diga só que estou doente que é para eu poder ir para casa." e sorrio. Esta afirmação tem uma concretização premeditadamente paradoxal e desde que a uso nunca mais me olharam de lado.
Muito pelo contrário. Suponho que as pessoas que me atendem pensam "deve estar mesmo doente para dizer uma coisa destas" ou "deve estar muito habituada a isto para reagir com este humor" e fazem-me logo uma porrada de análises, poem-se logo a fazer-me testes, etc.
Mesmo quando as análises dão negativo (coisa que antes se virava contra mim, porque apesar de tudo eu não podia estar realmente doente se não estivesse a fazer hemólise e as análises dessem bem), eu respondo calmamente "eu não disse? Eu avisei que era só para chamar a atenção!... MAs vocês não me ouvem..."

Já tinha tido esta experiência quando fui operada pela segunda vez ao joelho: de vez em quando tinha recaídas e para dar algum repouso ao joelho andava de muleta, podendo, não obstante e como é óbvio colocar o pé no chão. Não imaginam a crueldade das pessoas quando acham que alguém se está a fingir de doente... A partir de certa altura cheguei à conclusão de que era inútil explicar que tinha tido uma ruptura de ligamentos e de vez em quando os sentia "a ceder" tendo que os poupar para evitar consequências mais graves e passei a dar respostas parvas como "é para me darem passagem nas passadeiras e lugar no autocarro" ou "ando a treinar para o casting do ER português: quero ser a nurse Kerry", ou então o clássico "ah! não é nada, é só para
chamar a atenção"...


O que se resume no seguinte: "Nunca dês explicações: os teus amigos não precisam e os teus inimigos não vão acreditar de qualquer maneira" (mandaram-me esta por e-mail)


*Benjamin Disraeli

1 comentário:

Maria João disse...

é como eu, agora a fingir n ter apetite... na realidade, para algumas pessoas devo estar so a fazer dieta lol percebo-te tão bem...