Em cima da mesa estava uma garrafa de contornos suaves e arredondados com o fundo em forma de estrela de cinco pontas.
O líquido que encerrava era negro e via-se através da superfície do recipiente, que, embora fosse límpido como o vidro ou o cristal, era surpreendentemente leve e macio como a imberbe barriga de um cão.
Havia um rótulo na parte superior da garrafa, prateado com arabescos brancos e algumas letras vermelhas e negras.
A tampa era alva.
Convidada a beber pela garrafa e com uma insensata curiosidade, destapei-a e peguei-lhe.
O material era flexível!
O líquido ondulou em direcção à minha boca, e à medida que eu dava mais e mais tragos desse néctar doce, laivos de um castanho dourado surgiam. Estava ainda com mais sede do quando começara sofregamente a beber, e agora o líquido tornava-se avermelhado provocando-me arrotos sonoros, mas estranhamente não me sentia embriagada…
Perguntei-me o que se passaria…
De repente fui acotovelada pela minha irmã que desabafou de forma rude…
“Tu já largavas a droga. E já agora vê lá se não bebes essa garrafa de dois litros de coca-cola light sozinha, é que as pessoas estão a começar a olhar… Não se pode levá-la a lado nenhum…!”
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