sábado, fevereiro 07, 2004

Hoje é Torga o prato da casa, num daqueles dias... sem definição possível...

PRECE

Senhor, deito-me na cama
Coberto de sofrimento;
E a todo o comprimento
Sou sete palmos de lama:
Sete palmos de excremento
Da terra mãe que me chama.

Senhor, ergo-me do fim
Desta minha condição:
Onde era sim, digo não,
Onde era não, digo sim;
Mas não calo a voz do chão
Que grita dentro de mim.

Senhor, acaba comigo
Antes do dia marcado;
Um golpe bem acertado,
Um tiro dum inimigo...
Qualquer pretexto tirado
Dos sarcasmos que te digo.


Este poema pode ser encontrado no "Diário I" de Miguel Torga (um blog à moda antiga :)))))))))

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