Velha e Louca - Mallu Magalhães (Album: Pitanga, 2011)
19 anos, esta miúda. 19.
"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
domingo, janeiro 29, 2012
quinta-feira, janeiro 26, 2012
Personificcionar 2
Aqui fica um pequeno excerto do Personificcionar 2 - a 17/1/2012 no Tribeca, comigo e o Renato Diz.
A personagem é Francisca.
Zen habits
Acabo de ler "O desafio das 100 coisas" de Dave Bruno e tenho refletido bastante sobre a quantidade de tralha e coisas a mais que possuo; seguindo uma sugestão do livro comecei por "atacar" o meu guarda roupa e escolher peças para 7 dias sem repetir nenhuma; guardei o resto (porque ao contrário do autor do livro [ainda?] não estabeleci o compromisso comigo mesma de só possuir 100 itens pessoais durante um ano e porque DETESTO ir às compras - assim quando precisar de substituir alguma coisa, posso ir ao meu "arquivo" antes de ter de comprar algo).
A experiência está a ser surpreendente e de repente dei por mim a reduzir o restante das coisas que estão no meu quarto ao longo desta semana. Na verdade agora o quarto tem apenas o essencial e está demasiado arrumado para a minha cabeça sempre confusa, a ponto de ser algo desconfortável para mim estar nele. (sim, eu sou esquisita a esse ponto).
O facto é que sempre fui muito desarrumada e sempre achei que esse era um enorme handicap, pelo que paradoxalmente sempre tive um interesse quase obsessivo pela organização (li livros incontáveis sobre todo o tipo de arrumação: da arrumação da tralha, à arrumação do tempo... enfim... you name it).
Para já a experiência (à parte o desconforto do meu quarto super arrumado) está a ser muito interessante e gratificante, mas ao mesmo tempo perturbadora, porque à medida que tenho menos tralha para me distrair à minha volta, ganho mais consciência sobre mim e sobre as coisas que estou e não estou a fazer, aquilo que sou e que não sou.
Com menos distrações, o essencial fica mais visível - e nem sempre é fácil encará-lo.
Enfim: a ver como é que a coisa evolui nos próximos tempos. À medida que vou questionando o que está em minha casa e a falta que me faz ou não, vou espalhando pela casa aquela arrumação tranquila que me faz sentir desconfortável; suponho então que estará na altura de arrumar o que não se vê, em mim...
Alguns links sobre o tema:
Zen habits
A guy named Dave
Laws of Simplicity
A experiência está a ser surpreendente e de repente dei por mim a reduzir o restante das coisas que estão no meu quarto ao longo desta semana. Na verdade agora o quarto tem apenas o essencial e está demasiado arrumado para a minha cabeça sempre confusa, a ponto de ser algo desconfortável para mim estar nele. (sim, eu sou esquisita a esse ponto).
O facto é que sempre fui muito desarrumada e sempre achei que esse era um enorme handicap, pelo que paradoxalmente sempre tive um interesse quase obsessivo pela organização (li livros incontáveis sobre todo o tipo de arrumação: da arrumação da tralha, à arrumação do tempo... enfim... you name it).
Para já a experiência (à parte o desconforto do meu quarto super arrumado) está a ser muito interessante e gratificante, mas ao mesmo tempo perturbadora, porque à medida que tenho menos tralha para me distrair à minha volta, ganho mais consciência sobre mim e sobre as coisas que estou e não estou a fazer, aquilo que sou e que não sou.
Com menos distrações, o essencial fica mais visível - e nem sempre é fácil encará-lo.
Enfim: a ver como é que a coisa evolui nos próximos tempos. À medida que vou questionando o que está em minha casa e a falta que me faz ou não, vou espalhando pela casa aquela arrumação tranquila que me faz sentir desconfortável; suponho então que estará na altura de arrumar o que não se vê, em mim...
Alguns links sobre o tema:
Zen habits
A guy named Dave
Laws of Simplicity
quarta-feira, janeiro 25, 2012
sábado, janeiro 21, 2012
A vida é simples
E é nos momentos em que ela é mais dura que nos apercebemos como as coisas são tão simples e às vezes as complicamos sem necessidade nenhuma.
segunda-feira, janeiro 16, 2012
domingo, janeiro 08, 2012
Personificcionar II
No dia 17 de Janeiro deste mês (calha a uma Terça), vou fazer outra apresentação pública do Personificcionar com o Renato Diz ao piano - desta vez é no Tribeca, pelas 22h.
Apareçam! :)
(E aqui fica um bocadinho da primeira edição, em Julho do ano passado, no Clube Literário do Porto, com "Elias, o homem de pénis pequeno")
("Elias" pode ainda ser lido no blog do Personificcionar, aqui)
quarta-feira, janeiro 04, 2012
segunda-feira, janeiro 02, 2012
O amor puro está fora do medo e das expectativas.
Visto aqui. Porque desde a véspera de ano novo, só me aprecem à frente texto e citações sobre whatever that is "amor puro".
Visto aqui. Porque desde a véspera de ano novo, só me aprecem à frente texto e citações sobre whatever that is "amor puro".
Elogio ao amor puro
(Miguel Esteves Cardoso, Jornal Expresso)
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.
O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.
Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?
O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.
O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.
O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
domingo, janeiro 01, 2012
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