"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
sexta-feira, setembro 23, 2011
quinta-feira, setembro 22, 2011
A força das palavras
If "the word is mightier than the sword", the lack of words is mightier than the bazooka.
domingo, setembro 18, 2011
o tempo é relativo
Sei que o tempo é relativo porque na minha vida ele anda demasiado depressa e demasiado devagar ao mesmo tempo.
sábado, setembro 17, 2011
Hoje
acordei atormentada pela minha própria mortalidade e com uma enorme urgência em fazer tudo o que de importante ainda não fiz.
Nomeadamente, levar a Inês a passear.
Nomeadamente, levar a Inês a passear.
terça-feira, setembro 13, 2011
a saudade é um sentimento universal
Chego a casa e os cães ficam histéricos.
Os meus pais estão há 2 dias fora e os bichos parecem ter perdido o norte de todo, estão completamente desamparados.
À rebelia daquilo que me deixam fazer quando estão cá os meus pais, deixo-os entrar na cozinha e posiciono as cadeiras onde se costumam deitar frente à lareira.
O Spike não consegue ficar sentado e o Scot fica a ganir enquanto olha para mim com olhos grandes.
Ponho novamente as cadeiras onde se sentam disponíveis, mas desta vez ao meu lado, uma de cada lado para não se pegarem à porrada como é costume.
Demoram a sossegar e só querem mimos e atenção. Ganem, coisa que é raríssimo acontecer. Parecem estar a queixar-se da sua dor e a pedir colo ao mesmo tempo.
Finalmente acalmam e começam a dormir nas cadeiras fofas. Mas mesmo no seu sono ganem ligeiramente e quando lhes toco para uma festinha emitem uma espécie de som algures entre o ganir e o falar como se estivessem a contar-me o que lhes vai na alma. Que perdem a noção do tempo sem os donos cá. Que não lhes apetece ladrar às pessoas que passam ao portão. Que os dias custam muito a passar sem as pessoas deles (sim, porque nós somos tanto dos nossos cães como so nossos cães de nós!).
E que morrem de saudades e desgosto com a casa assim vazia.
Faço mais umas festinhas e digo-lhes como se eles pudessem perceber que os donos estão quase quase a chegar. E eles dormem e ressonam como se tivessem compreendido e quisessem acelerar o tempo.
Os meus pais estão há 2 dias fora e os bichos parecem ter perdido o norte de todo, estão completamente desamparados.
À rebelia daquilo que me deixam fazer quando estão cá os meus pais, deixo-os entrar na cozinha e posiciono as cadeiras onde se costumam deitar frente à lareira.
O Spike não consegue ficar sentado e o Scot fica a ganir enquanto olha para mim com olhos grandes.
Ponho novamente as cadeiras onde se sentam disponíveis, mas desta vez ao meu lado, uma de cada lado para não se pegarem à porrada como é costume.
Demoram a sossegar e só querem mimos e atenção. Ganem, coisa que é raríssimo acontecer. Parecem estar a queixar-se da sua dor e a pedir colo ao mesmo tempo.
Finalmente acalmam e começam a dormir nas cadeiras fofas. Mas mesmo no seu sono ganem ligeiramente e quando lhes toco para uma festinha emitem uma espécie de som algures entre o ganir e o falar como se estivessem a contar-me o que lhes vai na alma. Que perdem a noção do tempo sem os donos cá. Que não lhes apetece ladrar às pessoas que passam ao portão. Que os dias custam muito a passar sem as pessoas deles (sim, porque nós somos tanto dos nossos cães como so nossos cães de nós!).
E que morrem de saudades e desgosto com a casa assim vazia.
Faço mais umas festinhas e digo-lhes como se eles pudessem perceber que os donos estão quase quase a chegar. E eles dormem e ressonam como se tivessem compreendido e quisessem acelerar o tempo.
sexta-feira, setembro 09, 2011
Quanto é que eu gosto de ti?
Habituada a que lhe diga que gosto muito dela e lhe pergunte "quem é que te adora", a princesa de 8 anos responde displicentemente "és tu, eu sei, já mo disseste mil vezes".
Gosto desta resposta segura que ela me dá. Mas gosto ainda mais de a aperrear. E pergunto "mas QUANTO é que eu gosto de ti?"
E ela finalmente não sabe.
E digo-lhe "gosto mais de ti do que de uma montanha feita de chocolates dos bons"
"E tu? Quanto é que gostas de mim?"
Pergunta parva. é claro que ela não sabe. Digo-lhe: "pergunta à prima João quanto é que ela gosta de ti".
A prima João tem o mesmo problema em responder.
Sussurro-lhe ao ouvido "pergunta-lhe se gosta mais de ti do que de leite condensado"
"Gostas mais de mim do que de leite condensado?"
"Gosto mais de ti do que um Oceano Atlântico de leite condensado!" A miúda sorri.
E a prima retorque "E tu? gostas mais de mim do que da tua Nintendo?"
E a miúda, doce e genuína, diz "claro! adoro-te!"
E passamos o resto do tempo a perguntar - coisa tonta - quanto mais é que alguma de nós gosta de outra do que de outra coisa.
Gostas mais de mim do que de viajar? Gostas mais de mim do que da tua máquina fotográfica? Gostas mais de mim do que do ballet?
Três meninas que de repente têm todas 8 anos e que se disputam.
Palermices.
Patetas e patéticas.
Melosas.
E que boa brincadeira de uma tarde.
E no fim ela dizia "só mais uma "gostas mais de mim"" ansiosa por descobrir de que é que as primas gostavam mais do que dela. E a conclusão boa, pindérica genuína e descomplexada de que não havia nada de que se gostasse mais e que era proibido comparar pessoas, porque das pessoas não se gosta mais ou menos, mas de maneiras diferentes.
Sabem que mais?
É bom ser uma menina, em todos os sentidos da palavra.
Gosto desta resposta segura que ela me dá. Mas gosto ainda mais de a aperrear. E pergunto "mas QUANTO é que eu gosto de ti?"
E ela finalmente não sabe.
E digo-lhe "gosto mais de ti do que de uma montanha feita de chocolates dos bons"
"E tu? Quanto é que gostas de mim?"
Pergunta parva. é claro que ela não sabe. Digo-lhe: "pergunta à prima João quanto é que ela gosta de ti".
A prima João tem o mesmo problema em responder.
Sussurro-lhe ao ouvido "pergunta-lhe se gosta mais de ti do que de leite condensado"
"Gostas mais de mim do que de leite condensado?"
"Gosto mais de ti do que um Oceano Atlântico de leite condensado!" A miúda sorri.
E a prima retorque "E tu? gostas mais de mim do que da tua Nintendo?"
E a miúda, doce e genuína, diz "claro! adoro-te!"
E passamos o resto do tempo a perguntar - coisa tonta - quanto mais é que alguma de nós gosta de outra do que de outra coisa.
Gostas mais de mim do que de viajar? Gostas mais de mim do que da tua máquina fotográfica? Gostas mais de mim do que do ballet?
Três meninas que de repente têm todas 8 anos e que se disputam.
Palermices.
Patetas e patéticas.
Melosas.
E que boa brincadeira de uma tarde.
E no fim ela dizia "só mais uma "gostas mais de mim"" ansiosa por descobrir de que é que as primas gostavam mais do que dela. E a conclusão boa, pindérica genuína e descomplexada de que não havia nada de que se gostasse mais e que era proibido comparar pessoas, porque das pessoas não se gosta mais ou menos, mas de maneiras diferentes.
Sabem que mais?
É bom ser uma menina, em todos os sentidos da palavra.
Bernstein sobre Gould
O sr. Bernstein e o seu disclamer antes de um concerto com Glenn Gould.
Sempre um gentleman
Sempre um gentleman
quinta-feira, setembro 08, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
Siddahrta
"Vê, Kamala: quando atiras uma pedra à água, ela
procura o caminho mais rápido para o fundo. Assim é quando Siddharta tem um
objetivo, uma intenção. Siddharta nada faz, espera, pensa, jejua, mas passa
pelas coisas do mundo como uma pedra passa pela água, sem fazer nada, sem se
mexer: ele é atraído e deixa-se cair. O seu objetivo arrasta-o, pois ele não
admite na sua alma nada que pudesse interpor-se entre ele e o seu objetivo. Foi
isto que Siddharta aprendeu com os samanas. É a isto que os ingénuos chamam de
encantamento, pensando que é obra dos demónios. Os demónios nada fazem, não
existem demónios. Todos podem dominar estes encantamentos, todos podem alcançar
a sua alma, desde que saibam pensar, esperar, jejuar.
Kamala ouviu-o até ao fim. Ela amava a voz dele, amava o brilho dos seus olhos."
"Muito bem. E o que tens tu para me dar? O que aprendeste, o que sabes fazer?
- Sei pensar. Sei esperar. Sei jejuar.
- Isso é tudo?
- Penso que é tudo!
- E para que serve isso? O jejuar, por exemplo, para que serve?
- É muito útil, senhor. Quando um homem nada tem para comer, jejuar é a coisa mais inteligente a fazer. Se, por exemplo, Siddharta não tivesse aprendido a jejuar, teria hoje de aceitar qualquer serviço, em tua casa ou noutro lugar, porque a fome a isso o obrigaria. Mas assim Siddharta pode esperar, não conhece a impaciência e não passa dificuldades, pode enfrentar a fome durante muito tempo e rir-se dela. Por isso, senhor, o jejuar é útil."
"Escrever é bom, pensar é melhor. Inteligência é bom, paciência é melhor."
"Não estou a brincar. Digo-te aquilo que descobri. Podemos partilhar conhecimentos, mas não a sabedoria. Podemos encontrá-la, podemos vivê-la, podemos ganhar importância com ela, podemos fazer maravilhas com ela, mas não podemos comunicá-la ou ensiná-la. Foi isto que por vezes pressentia quando ainda era um aprendiz, aquilo que me afastou dos mestres. Descobri uma ideia, Govinda, que tu tomarás por troça ou loucura, mas que é a minha melhor ideia. É assim: para cada verdade, o contrário é igualmente verdade! Mais concretamente: uma verdade apenas se deixa exprimir em palavras quando é parcial. Tudo o que pode ser pensado com o pensamento ou dito com palavras é parcial, tudo é parcial, tudo é metade, a tudo falta totalidade, integridade, unidade. Quando o sublime Gotama ensinava acerca do mundo , era obrigado a dividi-lo em Sansara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e libertação. Não podia ser de outra forma, não há outro caminho para aqueles que querem ensinar. Mas o mundo, aquilo que existe à nossa volta e dentro de nós, nunca é parcial. Uma pessoa ou uma ação nunca são completamente Sansara ou Nirvana, uma pessoa nunca é completamente santa ou completamente pecadora. Parece assim porque estamos subjugados pela ilusão de que o tempo é algo real. O tempo não existe, Govinda, vi-o inúmeras vezes. E se o tempo não existe, também não existe a aparente diferença entre o mundo e a eternidade, entre o sofrimento e a bem-aventurança, entre mal e bem, é também uma ilusão."
"O pecador não está a caminho de se transformar no Buda, não está a evoluir, embora a nossa maneira de pensar não consiga apresentar a situação de outra forma. Não, o futuro Buda está já, aqui e agora, no pecador, o seu futuro está já todo lá, tens dentro dele, dentro de ti, em todos os que se transformam, um Buda oculto para venerar. O mundo, amigo Govinda, não é imperfeito nem está preso num caminho lento para a perfeição: não, o mundo é perfeito em todos os instantes (...)"
Kamala ouviu-o até ao fim. Ela amava a voz dele, amava o brilho dos seus olhos."
"Muito bem. E o que tens tu para me dar? O que aprendeste, o que sabes fazer?
- Sei pensar. Sei esperar. Sei jejuar.
- Isso é tudo?
- Penso que é tudo!
- E para que serve isso? O jejuar, por exemplo, para que serve?
- É muito útil, senhor. Quando um homem nada tem para comer, jejuar é a coisa mais inteligente a fazer. Se, por exemplo, Siddharta não tivesse aprendido a jejuar, teria hoje de aceitar qualquer serviço, em tua casa ou noutro lugar, porque a fome a isso o obrigaria. Mas assim Siddharta pode esperar, não conhece a impaciência e não passa dificuldades, pode enfrentar a fome durante muito tempo e rir-se dela. Por isso, senhor, o jejuar é útil."
"Escrever é bom, pensar é melhor. Inteligência é bom, paciência é melhor."
"Não estou a brincar. Digo-te aquilo que descobri. Podemos partilhar conhecimentos, mas não a sabedoria. Podemos encontrá-la, podemos vivê-la, podemos ganhar importância com ela, podemos fazer maravilhas com ela, mas não podemos comunicá-la ou ensiná-la. Foi isto que por vezes pressentia quando ainda era um aprendiz, aquilo que me afastou dos mestres. Descobri uma ideia, Govinda, que tu tomarás por troça ou loucura, mas que é a minha melhor ideia. É assim: para cada verdade, o contrário é igualmente verdade! Mais concretamente: uma verdade apenas se deixa exprimir em palavras quando é parcial. Tudo o que pode ser pensado com o pensamento ou dito com palavras é parcial, tudo é parcial, tudo é metade, a tudo falta totalidade, integridade, unidade. Quando o sublime Gotama ensinava acerca do mundo , era obrigado a dividi-lo em Sansara e Nirvana, em ilusão e verdade, em sofrimento e libertação. Não podia ser de outra forma, não há outro caminho para aqueles que querem ensinar. Mas o mundo, aquilo que existe à nossa volta e dentro de nós, nunca é parcial. Uma pessoa ou uma ação nunca são completamente Sansara ou Nirvana, uma pessoa nunca é completamente santa ou completamente pecadora. Parece assim porque estamos subjugados pela ilusão de que o tempo é algo real. O tempo não existe, Govinda, vi-o inúmeras vezes. E se o tempo não existe, também não existe a aparente diferença entre o mundo e a eternidade, entre o sofrimento e a bem-aventurança, entre mal e bem, é também uma ilusão."
"O pecador não está a caminho de se transformar no Buda, não está a evoluir, embora a nossa maneira de pensar não consiga apresentar a situação de outra forma. Não, o futuro Buda está já, aqui e agora, no pecador, o seu futuro está já todo lá, tens dentro dele, dentro de ti, em todos os que se transformam, um Buda oculto para venerar. O mundo, amigo Govinda, não é imperfeito nem está preso num caminho lento para a perfeição: não, o mundo é perfeito em todos os instantes (...)"
sábado, setembro 03, 2011
Manhã produtiva
Acho que estou a começar a conseguir lidar com o meu défice de atenção.
Não, não estou melhor desse problema, mas descobri que consigo produzir várias coisas ao mesmo tempo! :)
Perdi-a
A matrioska em miniatura que me deu uma amiga e que dizia
"Always have fun"
Chateada com a perda do objeto, agora que o procuro, contente com a lembrança da frase e a pensar: que grande lema de vida este é!
"Always have fun"
Chateada com a perda do objeto, agora que o procuro, contente com a lembrança da frase e a pensar: que grande lema de vida este é!
quinta-feira, setembro 01, 2011
e ao 7.º dia fez-se luz
Depois de uma semana a dormir sobressaltada e a sonhar com soluções fatoriais e prazos que não vou conseguir cumprir, com o coração apertado por estar TÃO atrasada no meu trabalho, lembrei-me que é suposto gostar disto, que lutei tanto para poder fazer isto... E comecei a divertir-me com a coisa! :)
(mas tenho taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaanto sono!)
E como não encontro online a cena do Kill Bill vol. 1 com a Uma Thurman que isto me faz lembrar, fica o transcript.
Wiggle your big toe.
Wiggle your big toe.
Wiggle your big toe.
(...)
Wiggle your big toe.
Hard part's over.
Now, let's get these other piggies wiggling.
(mas tenho taaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaanto sono!)
E como não encontro online a cena do Kill Bill vol. 1 com a Uma Thurman que isto me faz lembrar, fica o transcript.
Wiggle your big toe.
Wiggle your big toe.
Wiggle your big toe.
(...)
Wiggle your big toe.
Hard part's over.
Now, let's get these other piggies wiggling.
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