Percebi pela primeira vez que não estava entre psis da primeira (e até à data única) vez que mandei uma piada "à psi". Disse a alguém que estava a culpar o equipamento informático por não conseguir fazer qualquer coisa que a isso se chamava "externalização da culpa" e ri-me.
A pessoa olhou para mim de forma fulminante e disse secamente "Eu já fiz psicoterapia".
Foi o primeiro dia do fim de uma era.
Aos poucos e muito devagar, tenho vindo a adaptar-me a este novo paradigma em que a matemática explica a vida e se fazem incontáveis gráficos em que no eixo dos x estão bananas e no eixo dos y sapatos.
Só ainda não sei fazer derivadas e não consigo de deixar de achar divertido o pressuposto inocente dos economistas em que axiomas e teoremas matemáticos definem o comportamento humano.
É o princípio de uma nova era aparentemente bem divertida. Resta saber quanto tempo levarei até começar a usar "ceteris paribus" numa linha de argumentação...
"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
terça-feira, setembro 29, 2009
sábado, setembro 26, 2009
Descobri o Tony Bennet
Eu já sei que o senhor existe há algum tempo, mas só agora, finalmente, o descobri.
A paixão é de tal modo assolapada que acho que se se o Chico Buarque descobre, vamos ter sarilhos...
Fly me to the Moon
A paixão é de tal modo assolapada que acho que se se o Chico Buarque descobre, vamos ter sarilhos...
Fly me to the Moon
quinta-feira, setembro 24, 2009
Improvisação
Maria João e Bobby McFerrin
A música é uma língua universal.
Usei este vídeo numa aula sobre Comunicação. Os meus perspicazes estudantes detectaram logo o que faz esta improvisação funcionar, além de serem ambos excelentes músicos: a complementaridade e simetria da linguagem corporal, a aceitação das dicas sonoras um do outro e a construção em cima das mesmas de novos movimentos e o facto de ambos estarem disponíveis e atentos um ao outro visual, sonora e atitudinalmente.
Não é interessante? :)
segunda-feira, setembro 21, 2009
IPO
Já referi 50 000 vezes como é positivo e bem disposto o voluntariado no IPO.
É mesmo. Na maior parte das vezes os miudos são uma fonte inesgotável de alegria, força e capacidade de viver o "agora".
De vez em quando, somos recordados que estamos a lidar não só com crianças que estão doentes, mas também com doentes que são crianças.
E parte o coração de qualquer um ouvir uma criança a chorar implorante para a enfermeira que "tá doéi", ou ter uma mãe a explicar e convencer a filha que vai ter de voltar para a sala de tratamentos outra vez, quando ela chora sem fitas e diz que não quer porque "vai fazê doê, mãe! Não qué i!".
O ar de indignação e a sinceridade naquelas palavras... E o peso imenso de fazermos compreender que tem mesmo de ser, que é para ela ficar boa...
Depois de sairmos do turno estavamos as três a chorar, ontem.
É mesmo. Na maior parte das vezes os miudos são uma fonte inesgotável de alegria, força e capacidade de viver o "agora".
De vez em quando, somos recordados que estamos a lidar não só com crianças que estão doentes, mas também com doentes que são crianças.
E parte o coração de qualquer um ouvir uma criança a chorar implorante para a enfermeira que "tá doéi", ou ter uma mãe a explicar e convencer a filha que vai ter de voltar para a sala de tratamentos outra vez, quando ela chora sem fitas e diz que não quer porque "vai fazê doê, mãe! Não qué i!".
O ar de indignação e a sinceridade naquelas palavras... E o peso imenso de fazermos compreender que tem mesmo de ser, que é para ela ficar boa...
Depois de sairmos do turno estavamos as três a chorar, ontem.
domingo, setembro 20, 2009
when you believe
Do filme "Prince of Egypt" da Disney em 1998.
Eu gosto muito das músicas que aparecem nos filmes da Disney, em geral, mas este vídeo clip tem a dupla função de me fazer pensar em como muda o nosso sentido de estética em 11 anos...
Eu gosto muito das músicas que aparecem nos filmes da Disney, em geral, mas este vídeo clip tem a dupla função de me fazer pensar em como muda o nosso sentido de estética em 11 anos...
Where the hell is Matt?
Matt Harding.
Procurem na wikipedia se quiserem a versão mais "verdadeira", depois de verem o vídeo. Eu prefiro contar a história tal como ma contaram, porque tem mais piada.
Em 2005, Matt decidiu ir viajar. Para a família e os amigos saberem que ele estava bem e de saúde, achou que a forma mais eficaz era colocar um vídeo no youtube dos vários sítios onde estivesse para a família e os amigos o verem e terem a certeza que ele estava bem. Para não ficar um vídeo sem graça ele fez uma dancita sem jeito, que tinha a dupla função de atestar que fisicamente estava bem.
O fenómeno tornou-se global e este foi a compilação dos vídeos do ano passado.
Where the hell is Matt?
Procurem na wikipedia se quiserem a versão mais "verdadeira", depois de verem o vídeo. Eu prefiro contar a história tal como ma contaram, porque tem mais piada.
Em 2005, Matt decidiu ir viajar. Para a família e os amigos saberem que ele estava bem e de saúde, achou que a forma mais eficaz era colocar um vídeo no youtube dos vários sítios onde estivesse para a família e os amigos o verem e terem a certeza que ele estava bem. Para não ficar um vídeo sem graça ele fez uma dancita sem jeito, que tinha a dupla função de atestar que fisicamente estava bem.
O fenómeno tornou-se global e este foi a compilação dos vídeos do ano passado.
Where the hell is Matt?
sábado, setembro 19, 2009
Epifânia
Ontem: durante a viagem de carro, uma sensação inigualável de tranquilidade e sentido de missão. Tudo tão claro, tão simples, tão evidante.
Hoje: as formas de concretizar essa mesma ideia, tantas, tão diversas e com tantas ramificações.
Dói-me a cabeça. E a barriga. Acho que devo ser alérgica a epifânias...
Hoje: as formas de concretizar essa mesma ideia, tantas, tão diversas e com tantas ramificações.
Dói-me a cabeça. E a barriga. Acho que devo ser alérgica a epifânias...
segunda-feira, setembro 14, 2009
domingo, setembro 13, 2009
O sonho
Comecei por reparar que ele estava à porta do exame na UM e calculei que estivesse à espera da namorada. Depois reparei nos sapatos, que eram os meus sapatos azuis, usados até à exaustão, depois as calças beiges e finalmente a camisa que eu comprei com ele.
Depois encontrei minha prima psicóloga que comentou "já viste quem está ali?". Disse que sim. Ela prosseguiu dizendo "Ele esteve ontem com a namorada lá em casa. Dissemos-lhe que ele não podia concordar sempre com ela, que era importante preservar a pessoa que ele é."
E eu concordei sincera e veementemente.
Depois voltei a olhar para ele no meio das pessoas que passavam,achei estranho ele estar a usar os meus sapatos e percebi que era um sonho.
Preciso de ir ao psicólogo.
Depois encontrei minha prima psicóloga que comentou "já viste quem está ali?". Disse que sim. Ela prosseguiu dizendo "Ele esteve ontem com a namorada lá em casa. Dissemos-lhe que ele não podia concordar sempre com ela, que era importante preservar a pessoa que ele é."
E eu concordei sincera e veementemente.
Depois voltei a olhar para ele no meio das pessoas que passavam,achei estranho ele estar a usar os meus sapatos e percebi que era um sonho.
Preciso de ir ao psicólogo.
terça-feira, setembro 08, 2009
Estes são os meus amigos
De vez em quando, os meus amigos perguntam-me como é que eu, sendo Psicóloga me dou com gente tão obviamente doida, por vezes ignorando o perigo que isso representa.
Digo com frequência que a principal aprendizagem do curso, para mim, foi aprender a não julgar os outros e a rejeitar o rótulo da normalidade.
Às vezes preciso mesmo que os meus amigos partilhem do seu bom senso comigo e me expliquem que se calhar é melhor não dar muita trela a esta ou aquela pessoa. Ignoro-os sempre até bater com a cara na parede, mas é uma forma de estar na vida.
Porque o tipo de pessoas que eu gosto de ter como amigos são pessoas que dentro ou fora dos parâmetros da normalidade (e muitas vezes, fora) são genuínas, apaixonadas ou simplesmente comprometidas com um projecto, um sonho ou um ideal. Ou então são diletantes assumidos, sem problemas com isso. Essencialmente são pessoas que no fundo conseguem conviver com a sua própria humanidade, sem se preocuparem demasiado com o socialmente desejável.
Como o William S. Burroughs.
Digo com frequência que a principal aprendizagem do curso, para mim, foi aprender a não julgar os outros e a rejeitar o rótulo da normalidade.
Às vezes preciso mesmo que os meus amigos partilhem do seu bom senso comigo e me expliquem que se calhar é melhor não dar muita trela a esta ou aquela pessoa. Ignoro-os sempre até bater com a cara na parede, mas é uma forma de estar na vida.
Porque o tipo de pessoas que eu gosto de ter como amigos são pessoas que dentro ou fora dos parâmetros da normalidade (e muitas vezes, fora) são genuínas, apaixonadas ou simplesmente comprometidas com um projecto, um sonho ou um ideal. Ou então são diletantes assumidos, sem problemas com isso. Essencialmente são pessoas que no fundo conseguem conviver com a sua própria humanidade, sem se preocuparem demasiado com o socialmente desejável.
Como o William S. Burroughs.
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