Encontrei-o e perguntei-lhe pela mãe depois de algum rodeio.
"Faleceu", disse-me quase a pedir desculpa pela má notícia.
Eu já imaginava.
Depois na sua maneira carismática de sempre explicou-me que tudo aconteceu de forma quase deliberada, no dia a seguir à consoada que ela almejara passar em família. Depois do evento que tanto esperava, entrou em coma e partiu.
"Reforçou a minha fé na liberdade de escolha e em tudo o que acredito acerca do espírito humano" disse-me.
A mim também.
"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
sexta-feira, maio 29, 2009
domingo, maio 24, 2009
Blindness
Ensaio sobre a Cegueira~
Adorei, adorei, adorei o filme. Uma coisa sem explicação.
A banda sonora é brutalíssima. E fiquei com aquela sensação de abalo e paralização mental que só os bons filmes dão. Que queremos voltar a trás para poder perceber melhor, ver um outro ângulo, repensar.
É bruto, é cru. Não é um filme fófinho.
Mas vale bem a pena. E o mesmo vale para os extras do DVD: a reacção do Saramago (que parece o Oog way* do Panda do Kung Fu!) é comovente.
Um cheirinho da banda sonora original de Marco António Guimarães
Ensaio sobre a Cegueira - Blindness (2008) - Realizador:Fernando Meirelles - Com Julianne Moore, Mark Ruffallo, Gael Garcia Bernal e Alice Braga
* Oogway, in case you were wondering!
Adorei, adorei, adorei o filme. Uma coisa sem explicação.
A banda sonora é brutalíssima. E fiquei com aquela sensação de abalo e paralização mental que só os bons filmes dão. Que queremos voltar a trás para poder perceber melhor, ver um outro ângulo, repensar.
É bruto, é cru. Não é um filme fófinho.
Mas vale bem a pena. E o mesmo vale para os extras do DVD: a reacção do Saramago (que parece o Oog way* do Panda do Kung Fu!) é comovente.
Um cheirinho da banda sonora original de Marco António Guimarães
Ensaio sobre a Cegueira - Blindness (2008) - Realizador:Fernando Meirelles - Com Julianne Moore, Mark Ruffallo, Gael Garcia Bernal e Alice Braga
* Oogway, in case you were wondering!

quarta-feira, maio 20, 2009
O Clube II
Passeou-se pela loja e demorou ligeiramente os olhos pela zona dos desenhos animados.
O Senhor do Clube disse "Pois é, a menina gosta de desenhos animados, não é?"
E de repente ocorreu-lhe: espero que ele não tenha presentes na memória todos os filmes que eu aluguei com o meu ex-namorado...
O Senhor do Clube disse "Pois é, a menina gosta de desenhos animados, não é?"
E de repente ocorreu-lhe: espero que ele não tenha presentes na memória todos os filmes que eu aluguei com o meu ex-namorado...
Disciplina
e alguma coragem, para conseguir por as coisas importantes à frente das coisas urgentes...
terça-feira, maio 19, 2009
Bonsai
Acho que a minha plantinha de estimação gosta tanto do Porto quanto eu... Deu flores, apesar de estar impestada de um fungo qualquer :))
Quem me dera que a máquina não estivesse a arranjar para eu poder fotografar... :)
Quem me dera que a máquina não estivesse a arranjar para eu poder fotografar... :)
domingo, maio 17, 2009
Psicologia Clínica
Desde há um mês que tenho uma cliente de psicologia clínica.
Saltando a parte de como eu sempre disse que clínica "nem morta" a afinal estou a adorar cada bocadinho, é especialmente interessante pensar sobre um problema humano e poder discuti-lo com o meu "supervisor", a quem carinhosamente chamo de "Mestre".
Como é interessante pensar sobre uma questão e depois ter uma pessoa que diz outra coisa, acentua um prisma que nunca nos tinha ocorrido mas que faz tanto sentido... Sobretudo quando as nossas orientaçãoes teóricas são tão diferentes e distantes! É fascinante.
Só me resta saber, se a cliente ambém estará a achar fascinante a terapia eheh
Saltando a parte de como eu sempre disse que clínica "nem morta" a afinal estou a adorar cada bocadinho, é especialmente interessante pensar sobre um problema humano e poder discuti-lo com o meu "supervisor", a quem carinhosamente chamo de "Mestre".
Como é interessante pensar sobre uma questão e depois ter uma pessoa que diz outra coisa, acentua um prisma que nunca nos tinha ocorrido mas que faz tanto sentido... Sobretudo quando as nossas orientaçãoes teóricas são tão diferentes e distantes! É fascinante.
Só me resta saber, se a cliente ambém estará a achar fascinante a terapia eheh
terça-feira, maio 05, 2009
So good
Um dos pequenos grandes prazeres de viver no Porto e de não ter TV é o meu novo hobbie cinematográfico. Fiz-me sócia do clube aqui perto e fui de imediato "adoptada" pelo dono do clube, quase como sua "discípula cinematográfica".
Vou lá com regularidade e ele ajuda-me sempre a escolher a pelicula.
A de ontem foi um filme muito bom, "Vai e Vive", sobre um miudo etíope que a mãe obriga a disfarçar-se de judeu para ser salvo na "Operação Moisés".
A trama é riquissima, aborda vários temas desde a dificuldade de adaptação, ao bonding parental numa família adoptiva passando pela política (claro, decorre em Israel a maior parte do filme), a religião e o racismo, sem esquecer o amor de várias vertentes.
Emocionante, cativante e lindo, lindo, lindo, lindo.
Muito bom.
"Vai e Vive"
Título Original "Va, vis et deviens" de Radu MIHAILEANU (2005)
Prémios
Festival de Berlim :: Prémio do Público e Prémio do Júri EcuménicoCésars do Cinema Francês :: 4 Nomeações :: Melhor Filme - Melhor Realizador - Melhor Argumento Original - Melhor Música
Vou lá com regularidade e ele ajuda-me sempre a escolher a pelicula.
A de ontem foi um filme muito bom, "Vai e Vive", sobre um miudo etíope que a mãe obriga a disfarçar-se de judeu para ser salvo na "Operação Moisés".
A trama é riquissima, aborda vários temas desde a dificuldade de adaptação, ao bonding parental numa família adoptiva passando pela política (claro, decorre em Israel a maior parte do filme), a religião e o racismo, sem esquecer o amor de várias vertentes.
Emocionante, cativante e lindo, lindo, lindo, lindo.
Muito bom.

"Vai e Vive"
Título Original "Va, vis et deviens" de Radu MIHAILEANU (2005)
Prémios
Festival de Berlim :: Prémio do Público e Prémio do Júri EcuménicoCésars do Cinema Francês :: 4 Nomeações :: Melhor Filme - Melhor Realizador - Melhor Argumento Original - Melhor Música
segunda-feira, maio 04, 2009
O clube
Entrou na loja convencida que ninguém se lembraria dela. Reconhecendo o dono, coibiu-se de grandes interjeições e disse que queria fazer um cartão de sócio.
Com o grande sorriso que recordava de há dois/três anos, o senhor respondeu:
"-Não precisa, menina! Esqueceu o cartãozinho, foi? Temos aqui no sistema, não se preocupe."
Aqui está o reverso da medalha do comércio tradicional e das pessoas simpáticas.
"-Pois, o cartão não era meu e agora já não namoro com ele... Gostava de fazer um cartão para mim..."
E de repente, o facto de ele estar completamente ausente e não poder sequer mandar a piada que poderia continuar a pedir filmes com o seu cartão bateram-lhe como uma porta na cara.
Com o grande sorriso que recordava de há dois/três anos, o senhor respondeu:
"-Não precisa, menina! Esqueceu o cartãozinho, foi? Temos aqui no sistema, não se preocupe."
Aqui está o reverso da medalha do comércio tradicional e das pessoas simpáticas.
"-Pois, o cartão não era meu e agora já não namoro com ele... Gostava de fazer um cartão para mim..."
E de repente, o facto de ele estar completamente ausente e não poder sequer mandar a piada que poderia continuar a pedir filmes com o seu cartão bateram-lhe como uma porta na cara.
sexta-feira, maio 01, 2009
Maravilhosa
Não sei como dizer isto sem pareça tosco ou parolo. Quando penso na minha irmã, o adjectivo que me vem à cabeça é "maravilhosa".
Não é apenas porque ela é de facto uma excelente pessoa e uma irmã fantástica.
Tem a ver com a essência do que ela é e das coisas que a identificam e com que se identifica. Também usa a palavra com propriedade quando quer dizer que algo é extraordinário "estes crepes estão maravilhosos" ou "encontrei um café maravilhoso" ou "não é maravilhoso?".
A palavra não é dita com o histerismo das "tias", é saboreada, bocadinho a bocadinho, sílaba a sílaba, sem arrastar, como se estivesse a comer um grande e doce morango que se tem de trincar.
Pensei nisto ontem num contexto bastante fútil, enquanto andava às compras e na H&M (fica o recado para quando leres isto mana) encontrei uma t-shirt que achei a cara dela. Tinha uma árvore muito bonita e desenhada com uma menina em cima dela. É a cara dela. Em tons de azul e turquesa escuro, e a menina segurava um fruto vermelho.
Depois continuei e encontrei outra e outra coisa que achei que eram a cara dela... Apenas para concluir que todas as coisas que eu achava maravilhosas, delicadas e relacionadas com o "maravilhoso", a imaginação e o sonho tinham a ver com ela.
Maravilhosa.
Não é apenas porque ela é de facto uma excelente pessoa e uma irmã fantástica.
Tem a ver com a essência do que ela é e das coisas que a identificam e com que se identifica. Também usa a palavra com propriedade quando quer dizer que algo é extraordinário "estes crepes estão maravilhosos" ou "encontrei um café maravilhoso" ou "não é maravilhoso?".
A palavra não é dita com o histerismo das "tias", é saboreada, bocadinho a bocadinho, sílaba a sílaba, sem arrastar, como se estivesse a comer um grande e doce morango que se tem de trincar.
Pensei nisto ontem num contexto bastante fútil, enquanto andava às compras e na H&M (fica o recado para quando leres isto mana) encontrei uma t-shirt que achei a cara dela. Tinha uma árvore muito bonita e desenhada com uma menina em cima dela. É a cara dela. Em tons de azul e turquesa escuro, e a menina segurava um fruto vermelho.
Depois continuei e encontrei outra e outra coisa que achei que eram a cara dela... Apenas para concluir que todas as coisas que eu achava maravilhosas, delicadas e relacionadas com o "maravilhoso", a imaginação e o sonho tinham a ver com ela.
Maravilhosa.
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