domingo, agosto 30, 2009

Tudo o que temos é o presente.

O resto é imaginário.

E hoje apetece-me ouvir

Comptine d'une autre autre eté - do filme "Le fabuleux destin d'Amelie Poulain" .

Absurdo

A situação de é de tal maneira absurda que a família ficou paralizada.

Cada um de nós reage da maneira que melhor consegue.

Primeiro o choque da doença, depois o resto.

A minha mãe reagiu com uma fúria que eu acalmei por ser disparatada e depois com uma algo brejeira reconstituição dos eventos à luz do que sabemos agora e que me enerva qb, embora perceba que é a sua maneira de atribuir sentido a uma situação sem ponta de sentido que se lhe pegue.

Eu reagi bem, a princípio, mas lentamente tenho-me afundado numa apatia e sensação de perda incrível. Não consigo acreditar nisto.

Incrível como todos passamos pelo luto de maneira diferente, mas supostamente consistente.

De acordo com Kübler-Ross (1969), existem 5 fases no luto:

1. Negação
2. Raiva
3. Negociação
4. Depressão
5. Aceitação

Aparentemente, sou especialista em permanecer na primeira.

Paris je t'aime - Bastille



A música do nosso Rodrigo Leão. A história é a minha favorita do filme.

quinta-feira, agosto 27, 2009

Today

I gave my two weeks notice.
I found that my cousin is sick again.
I decided to stop fearing a 3rd degree encounter and just do it already.


What a turbulent day, Gee...

quarta-feira, agosto 26, 2009

Descubra a cabra secreta que há em si

Há poucas coisas que no meu local de trabalho me consigam tirar do sério. Claro, todos temos os nossos maus dias, mas mesmo assim, há poucas coisas que me façam sair do meu zen muito específico.

Há uns tempos, a estagiária nova, a propósito de nada perguntou-me qual era a minha formação. Achei tão disparatada a pergunta que respondi que tinha o 9.º ano pelo RVCC.

Desde então, a estagiária trata-me mal.

Não faz o que lhe peço, não me passa as chamadas que são para mim, questiona tudo o que digo, atira-me os papéis, etc.

Esta situação enerva-me porque:



  • Acho inconcebível este tipo de preconceito

  • Já fui técnica de RVCC e sei bem o que custa fazer um processo de fio a pavio

  • Não lido bem com ataques pessoais - bloqueio.

A situação é do domínio público na empresa. Todos sabem que lhe disse que tenho o 9.º ano, apesar de na verdade estar a preparar o Doutoramento e ter um Mestrado. E já pedi que ninguém se descosesse - não quero um estatuto que advém de uma coisa que me parece errada.


Mas o facto é que de cada vez que ela é desagradável comigo, tenho mais vontade de a tratar mal e de lhe dizer que ela não tem nada a ver como os porquês do que lhe digo para fazer, é para fazer e acabou.


É seguro dizer que ela me põe em contacto com a cabra secreta que há em mim.

sábado, agosto 22, 2009

Freedom is just another word for nothing left to loose

Sentada nas escadas da estação de autocarros, ouvia a Janis cantar “Bobby McGee” nos altifalantes.

E de repente aconteceu.

Foi inesperado. Tinha conseguido evitar a questão durante mais de um ano. Tinha conseguido gritar e espernear sobre o problema a toda a gente, e ao mesmo tempo evitar olhá-lo nos olhos. Como uma espécie de catarse. Como se ao falar dele evitasse sentir.

Toda, mas toda a gente soube do problema. Mesmo as pessoas que não estavam minimamente interessadas.

E ela sem o olhar nos olhos.

Na estação dos autocarros, enquanto esperava para embarcar rumo a Madrid, depois de uns quantos avisos que o problema não se ia embora e ou o enfrentava a bem ou ia ter de o enfrentar a mal e despreparada, decidiu enfrentá-lo.

E enfrentou-o, sem mais demoras.

E bloqueou.

Congelou.

Teve de sair da sala de espera, onde estavam os outros passageiros, como se a atrapalhasse qualquer distracção. Durante um bom tempo ficou a curtir aquela dor aguda no peito. Como uma facada. Uma dor quase palpável e muito física. Tinha de ser.

Sentiu o coração apertar além dos limites do aceitável e contraiu-se, cerrando os olhos com força. Não chorou porque não era a dor “morrinha desesperante”. Era um crivo. Percebeu na primeira pessoa a expressão popular “ foi uma facada no peito” e respirou fundo, num suspiro. O tempo da dor pareceu-lhe indefinido

Disse aos outros passageiros e funcionários que a viram e se preocuparam que estava só com uma enxaqueca e que dali a nada já passava, só precisava de estar um bocadinho sozinha e em silêncio. E deixou-se estar ali, a enfrentá-lo.

“Merda. Custa ser deixada.”

(to be continued – e aproveitando para matar saudades do two faces…)

Janis Joplin - Me & Bobby McGee


Me & Bobby McGee Lyrics

Busted flat in Baton Rouge, waiting for a train
And I's feeling nearly as faded as my jeans.
Bobby thumbed a diesel down just before it rained,
It rode us all the way to New Orleans.

I pulled my harpoon out of my dirty red bandanna,
I was playing soft while Bobby sang the blues.
Windshield wipers slapping time, I was holding Bobby's hand in mine,
We sang every song that driver knew.

Freedom's just another word for nothing left to lose,
Nothing don't mean nothing honey if it ain't free, now now.
And feeling good was easy, Lord, when he sang the blues,
You know feeling good was good enough for me,
Good enough for me and my Bobby McGee.

From the Kentucky coal mines to the California sun,
Hey, Bobby shared the secrets of my soul.
Through all kinds of weather, through everything we done,
Hey Bobby baby? kept me from the cold.

One day up near Salinas,I let him slip away,
He's looking for that home and I hope he finds it,
But I'd trade all of my tomorrows for just one yesterday
To be holding Bobby's body next to mine.

Freedom is just another word for nothing left to lose,
Nothing, that's all that Bobby left me, yeah,
But feeling good was easy, Lord, when he sang the blues,
Hey, feeling good was good enough for me, hmm hmm,
Good enough for me and my Bobby McGee.

La la la, la la la la, la la la, la la la la
La la la la la Bobby McGee.
La la la la la, la la la la la
La la la la la, Bobby McGee, la.

La La la, la la la la la la,
La La la la la la la la la, ain`t no bumb on my bobby McGee yeah.
Na na na na na na na na, na na na na na na na na na na na
Hey now Bobby now, Bobby McGee, yeah.

Lord, I'm calling my lover, calling my man,
I said I'm calling my lover just the best I can,
C'mon, hey now Bobby yeah, hey now Bobby McGee, yeah,
Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lord
Hey, hey, hey, Bobby McGee, Lord!

Yeah! Whew!

Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lordy Lord
Hey, hey, hey, Bobby McGee.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Não sou uma pessoa radical


Há duas grandes máximas que me esforço por seguir: nunca dizer "não" à partida, num desafio, isto é, experimentar o máximo de coisas possível e fazer todos os dias alguma coisa que me assuste.

Assim, aceitei sem pensar muito quando a minha irmã me desafiou a ir andar de banana com ela.

Lição n.º 1 do dia - pensar bem antes de aceitar desafios

Lição n.º 2 do dia - pessoas aterrorizadas têm semi-poderes: fui a única pessoa que não caiu da banana durante toda a viagem: os senhores do barco, incrédulos, bateram-me palmas (mas depois perceberam que eu não era assim tão boa quando eu implorei que não me fizessem cair e ameacei ir a nado para a praia se o tentassem fazer enquanto eu estava sozinha na banana)

Lição n.º3 do dia- eu não sou uma pessoa radical. Não me interessa quão pouco fixe isso é. Não sou. N-A-O. Não sou. Todo o caminho, tudo para onde eu consegui olhar foi para o colete salva-vidas do meu companheiro da frente, ao mesmo tempo que gritava "porquê, mãezinha, porquê?!!" e me agarrava como à própria vida ao insuflável.
E agora que esclareci esta questão quanto à minha identidade, posso seguir melhor com a minha vida.

terça-feira, agosto 18, 2009

Sheherazade - Rimsky-Korsakov



Da mesma maneira que eu sei que vou chorar de uma ponta à outra quando for ver as Quatro Estações de Vivaldi, eu sei que vou fazer papel de Madalena Arrependida quando for ver a Sheherazade de Rimsky-Korsakov.

E é para chorar à vontadinha que tenho de me lembrar que não posso ir num "date" a uma coisa destas!

quarta-feira, agosto 12, 2009

In equívoco

Apesar da vocação maternal e espírito protector que a tornaram a verdadeira matriarca da família, nunca teve filhos.

Em vez disso, adoptou os irmãos mais novos e os sobrinhos, quase todos afilhados, não por acaso.

Fisicamente, eramos e somos muito parecidas: maxilar largo, nariz igual e mais alguns traços indubitavelmente familiares. Partilhávamos uma relação de inequívoca e indisfarçável cumplicidade e afecto.

Era de tal modo óbvia a nossa parecença e afecto que sempre que passeavamos juntas por Barcelos, e apesar de ser uma pessoa bastante conhecida na cidade, quando encontrava alguma amiga ou conhecida a pergunta era incontornável:

"É sua filha?"

Era um procedimento tão costumeiro que me habituei a brincar com o assunto e divertia-me respondendo

"Sim!"

Ao mesmo tempo que ela respondia

"Não."

Depois, ela virava-se para mim e dizia "Oh Lena!" e para a outra pessoa "É tão patarata! É minha sobrinha/afilhada".

Se estivessemos com tempo e a pessoa sorrisse, eu insistia dizendo

"Oh mãe, lá estás tu a renegar-me! Não percebo porque é que tens vergonha de mim!" - e depois com um ar muito sério para outra pessoa "Não conta a ninguém que tem uma filha, é impressionante."

Acabavamos sempre a rir desta diabrura que ela repreendia com o sorriso feliz e orgulhoso de ter uma sobrinha/afilhada que insistia em se passar por sua filha.

Naquela Quinta-feira, segui o meu pai ao gabinete da médica que "queria falar com alguém da família da paciente". Havia uma estudante de Medicina com ela que nos observava como aos peixes de um aquário.

Ela deu a notícia da irreversibilidade dos danos devagar e com suavidade, como quem ministra uma injecção de penicilina, já com muita experiência.

Foi suave, mas firme: ia acontecer o pior.

À medida que as frases se sequenciavam da maneira que nós os "Psis" ensinamos que se deve fazer, as lágrimas começaram a rolar-me pela cara, sem parar, grossas e indisfarçáveis, apesar das minhas tentativas de controlo.

Eu queria fazer-me forte, mas não consegui. Virei-me de costas enquanto a médica acabava de dar as notícias ao meu pai, estoicamente assimilando tudo.

Quando acabou e eu me virei, um pouco mais recomposta, ela perguntou-me:

"É sua mãe?"


Foi a última vez que alguém perguntou.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Ethics for our time - Dalai Lama

Tenho ZERO

Vontade de trabalhar.

Como de costume estou à espera de uma reviravolta na minha vida para breve.

Posso nunca chegar a rica, mas aborrecida é que não vivo de certezinha...

sexta-feira, agosto 07, 2009

Cinema: Diogo Morgado será protagonista em "Mary, Mother of Christ" ao lado de Al Pacino e Peter O´Toole

http://clix.expresso.pt/cinema-diogo-morgado-sera-protagonista-em-mary-mother-of-christ-ao-lado-de-al-pacino-e-peter-otoole=f529585

Los Angeles, Califórnia, 06 Ago (Lusa) - O actor português Diogo Morgado vai integrar, como protagonista, o elenco do filme "Mary, Mother of Christ", de James Foley, que conta com nomes como Al Pacino, Peter O´Toole e Jessica Lange, noticiou a publicação Hollywood Reporter.

Los Angeles, Califórnia, 06 Ago (Lusa) - O actor português Diogo Morgado vai integrar, como protagonista, o elenco do filme "Mary, Mother of Christ", de James Foley, que conta com nomes como Al Pacino, Peter O´Toole e Jessica Lange, noticiou a publicação Hollywood Reporter.

Diogo Morgado foi escolhido para interpretar José, ao lado da actriz Camila Belle, no papel de Maria, num drama bíblico passado no tempo de Herodes (Al Pacino).

Em declarações à agência Lusa, o actor disse que vê esta estreia no cinema norte-americano como "uma oportunidade que não acontece todos os dias".

"Para mim ainda é tudo um bocado estranho, quero concentrar-me, não quero deixar encantar-me e vou fazer o melhor que puder", asseverou.

A possibilidade de participação no filme surgiu há cerca de dois meses, depois de Diogo Morgado ter enviado à produtora um vídeo com o seu trabalho e feito uma audição na qual foi seleccionado.

Citado pelo Hollywood Reporter, o realizador James Foley recordou o processo de escolha de Diogo Morgado: "Vimos muitos jovens actores e alguns eram notáveis. Pensámos que tínhamos terminado a nossa escolha quando nos chegou às mãos uma gravação com este rapaz incrível. Uma estrela em ascensão entrou na sala e percebi de imediato que tínhamos encontrado o actor".

O filme vai ser rodado integralmente em Marrocos a partir de Outubro e durante 13 semanas. Deverá estrear-se em Abril de 2010, coincidindo com o período pascal.

Esta é uma produção independente com realização do norte-americano James Foley e argumento de Barbara Nicolosi e Benedict Fitzgerald, que assinou a adaptação de "A paixão de Cristo", de Mel Gibson.

No filme entram ainda Camilla Belle, Al Pacino, Peter O'Toole, Julia Ormond, Jessica Lange e Jonathan Rhys Meyers.

Sobre o elenco, Diogo Morgado diz que é quase "inexplicável" saber que vai poder contracenar com Al Pacino ou Peter O´Toole.

"Ainda não me centrei bem nisso. Parece tudo ainda tão distante e que não corresponde à realidade", disse.

"Mary, Mother of Christ" conta a história "da epopeia da fuga da sagrada família e da perseguição do Rei Herodes", resumiu o actor.

O actor, de 29 anos, referiu que o seu papel é difícil do ponto de vista emocional e por ser uma história dramática, desde a anunciação do Anjo Gabriel a Maria até à morte do rei Herodes.

Diogo Morgado nasceu em 1980 em Lisboa e é actor desde a adolescência, tendo entrado sobretudo em séries televisivas, a mais recente das quais no papel de Salazar.

Da participação no cinema destaca-se o telefilme "Amo-te Teresa" (2000) e as longas-metragens "Crime do Padre Amaro", "A selva" e "Star Crossed - Amor em Jogo", versão moderna luso-britânica do amor impossível de Romeu e Julieta.

No teatro partilhou recentemente o palco com Rui Unas na peça "Pedras nos bolsos", de Mary Jones, com encenação de Manuel Coelho.

SS.

Lusa/fim

I wonder

  • Porque é que só consigo chorar-te quando estou em viagem
  • Porque é que não consigo falar com ninguém sobre ti
  • Porque é que a tua ausência só dói de vez em quando
  • Porque é que a tua ausência me dói mais agora do que há um ano atrás - não era suposto o tempo curar tudo?

Lamento ter-te sempre tomado por garantida. Nunca concebi que partisses tão cedo, mesmo quando já era mais do que óbvio (a negação não é um mero mito urbano).

A vida não é bem a mesma coisa desde que partiste e fazes-me mesmo muita falta.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Pffffff...

Ando num equilibrismo colossal à espera que o gmail faça anos para nos dobrarem o espaço de armazenamento e o parvalhão só me diz


domingo, agosto 02, 2009

Any idiot can face a crisis - it's day to day living that wears you out. Anton Chekhov

sábado, agosto 01, 2009

Paradoxo?



Gays que não se assumam devem ser processados

Mais sugestões:


Apoiantes do Paulo Portas que não se assumam devem ser açoitados.

A ética e a técnica

O presidente do IPS (Instituto Português do Sangue) veio esta semana a público dizer que os "Gays que não se assumam devem ser processados".

Baseia este credo em "aspectos técnicos", porque na sua linha de trabalho "não existe lugar para o politicamente correcto".

O que o Sr. presidente do IPS, não percebe é que isto não é uma questão de politicamente correcto, é uma questão de ética.

Com certeza que há muitos homossexuais promíscuos. Também há muitos heterossexuais promíscuos.

Também há homossexuais que são abstinentes. E que têm um companheiro ou companheira exclusivo. E que nunca, mas nunca, mas nunca assumem comportamentos de risco.
Como há heterossexuais que o fazem.

Será que o sr. Presidente do IPS se apercebe que esta linha de raciocínio que faz com que as pessoas que sejam homossexuais sejam excluídas da possibilidade de dar sangue, abre a porta para outras exclusões a seguir, até serem só as freiras com o himen intacto, que não pertençam a irmandades pobres, mas que vivam em reclusão e nunca tenham ido para fora da Europa, a dar sangue?

Já para não falar na porta que se abre a termos novamente cidadãos de segunda?

Já para não dizer que daqui a uns tempos uma pessoa teria antes de qualquer entrevista de emprego de responder à questão "orientação sexual" no formulário?

O que nos restaria seria obrigar todos os gays e lésbicas a usar um pequeno ou não tão pequeno símbolo visível, para avisar os outros da sua condição.

Mas já todos sabemos como acaba esta história, não sabemos?




Mais Esperanza



"Precious"