"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
A varanda é deles, dos gatos. Entram atrevidos e olham para mim, a intrusa, com curiosidade e despeito. "O que é que estás aqui a fazer? Quem é que te convidou?"
São gatos destemidos e sem coleira. Reagem fugindo aos movimentos bruscos, aproximam-se se eu estiver quieta - e querem entrar-me em casa!
Eu queria não ter medo deles e "fazer amizade", mas não consigo. Fujo eu para dentro de casa quando eles se aproximam.
Alguém tem ideias para me ajudar a contornar esta situação e usufruir da varanda?
A minha mãe e os irmãos cresceram nesta zona e a casa onde estou foi anteriormente arrendada por uma grande amiga de infância da minha mãe, descobrimos mais tarde.
A vizinhança mais antiga ainda se lembra da "Dona Rosinha", a minha avó, e dos meus tios "quando eram novos".
Cresci a ouvir dizer e a acreditar que o Porto era a melhor cidade do mundo, a mais bonita. A vir ao Porto em momentos de comemoração e em momentos solenes. A vir ao Porto ver a família, ao cinema, ao teatro, aos concertos. A achar que as pessoas do Porto eram especiais e acolhedoras.
Adoro as ruas, passear até ao Marquês às 8h00 da manhã do Feriado, ir correr para a Foz ao fim do dia de trabalho, o simples estar aqui.
Estou a ansiar uma fase de trabalho mais tranquila em Maio para poder começar a aproveitar os ciclos de cinema, as noites no Latino (sim, mesmo sendo os gajos quase todos gays), os concertos promenade, os cafés e as ruas cheias de gente.
Apesar de já ter vivido numa cidade maior, parece-me que só agora, finalmente, estou no centro do mundo. No centro do meu mundo, pelo menos. Sabe bem.