domingo, novembro 25, 2007

"So, what do you do?"

"Same as trees,

I stand."

Sei os teus seios

(Alexandre O'Neill)

Sei os teus seios.
Sei-os de cor.

Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.

Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.

Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!

Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!

Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?

Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?

Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!

Quantos seios ficaram por amar?

Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!

Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!

Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...

Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.

Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...

Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!

Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...

O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"

Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!

Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.

Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!

Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!

"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"

Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.

Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...

Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...

Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...

Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!

Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.

Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser

quinta-feira, novembro 22, 2007

Sempre preparados para dizer adeus

Até ao ano passado eu apenas sabia que "cancro=mau" - ok, talvez imaginasse que "cancro=muito mau", porque por vezes "cancro=morte".

Desde há um ano para cá, como uma praga, tenho assistido a mais e mais gente à minha volta padecer desta doença e vi-a "encarnar", tomar forma, ganhar rostos que me são familiares e ganhar voz, porque embora tabu em muitas situações, começou a ser um tema mais frequente de conversa entre todos.

Hoje em dia, mais que qualquer outra coisa, para mim, "cancro=dor" e normalmente "cancro=muita dor", física (pela doença e pelo tratamento) e psicológica (pela real possibilidade de morte, pela negatividade das perspectivas, etc).

E "cancro=frequente".

Há um ano, quando um grande amigo, prestes a acabar o curso de Medicina falava comigo acerca do seu recém descoberto linfoma, lembro-me de ficar estarecida com a forma como me disse calma e friamente "eu não estou zangado por que sei que não há nenhum Deus por aí a decidir quem é que merece ter cancros e não. Eu sei as estatísticas e sei que poderia ter acontecido a qualquer um, embora com a minha idade fosse altamente improvável."

Por isso eu também sei que "cancro=impossível de prever".

Hoje fui de novo confrontada com esta realidade. Desta vez foi uma pessoa que me é particularmente querida e que possivelmente tem uma forma de cancro especialmente má. E não consegui parar de soluçar com toda a baba e ranho durante um bom bocado, não pela falta que indubutavelmente me fará se morrer antes de mim (seja qual for o motivo) mas pela provação que ela e o marido em particular terão de enfrentar os próximos tempos...

Não existem palavras para esta sensação esmagamento... E ao contrário do meu racional amigo, sim, eu sinto-me zangada - sim, por mais estúpido que seja dizer que achamos injusto estar a chover...

Curiosamente, recebi hoje um mail que dizia que "viver é estarmos sempre preparados para dizer adeus". Oxalá a única dor dos adeus fosse a da saudade...

domingo, novembro 18, 2007

Confucius says...

Homem superior é aquele que começa por pôr em prática as suas palavras e em seguida fala de acordo com as suas acções.
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Palavras em contexto (6)
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Reaching Out / À mão






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sábado, novembro 10, 2007

This week was all about...


(virus)

sábado, novembro 03, 2007

You can't always get what you want




(M. Jagger/K. Richards)
(...)
You can't always get what you want, mmm!
But if you try sometimes you just might find
You just might find, that ya
Get what you need
Oooh, yeah!

I'm tellin' the truth, babe

Ooow-ooh!
Ooow-ooh!
Ooow-ooh!........
(Instrumental & choir to end fade)