"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
Para a frente, para cima, Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já, Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus (Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios, Ó minha embarcação!
Porque não há Padarias que em vez de pão nos dêem seios Logo p'la manhã?
Quantas vezes Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite Com inveja um do outro, toda a santa Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos Como um orgulho que há-de rebentar Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade -Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido, Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta: "E hei-de mandar fazer um almanaque da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios No peitoril de uma janela Aberta sobre a vida.
Botas, botirrafas Pisando tudo, até os seios Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos, Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos Altares onde fazem sacrifícios Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada Que cortejastes, que perseguistes Até entrares, a cavalo, p'la igreja Onde fora rezar, Mudou-te a vida quando te mostrou ("É isto que amas?") De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados, Rabujando, A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos, Depressa ou devagar, roubou à vida, À alegria, ao amor e às gulosas Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio E nenhum desejo me estremece a carne.
Até ao ano passado eu apenas sabia que "cancro=mau" - ok, talvez imaginasse que "cancro=muito mau", porque por vezes "cancro=morte".
Desde há um ano para cá, como uma praga, tenho assistido a mais e mais gente à minha volta padecer desta doença e vi-a "encarnar", tomar forma, ganhar rostos que me são familiares e ganhar voz, porque embora tabu em muitas situações, começou a ser um tema mais frequente de conversa entre todos.
Hoje em dia, mais que qualquer outra coisa, para mim, "cancro=dor" e normalmente "cancro=muita dor", física (pela doença e pelo tratamento) e psicológica (pela real possibilidade de morte, pela negatividade das perspectivas, etc).
E "cancro=frequente".
Há um ano, quando um grande amigo, prestes a acabar o curso de Medicina falava comigo acerca do seu recém descoberto linfoma, lembro-me de ficar estarecida com a forma como me disse calma e friamente "eu não estou zangado por que sei que não há nenhum Deus por aí a decidir quem é que merece ter cancros e não. Eu sei as estatísticas e sei que poderia ter acontecido a qualquer um, embora com a minha idade fosse altamente improvável."
Por isso eu também sei que "cancro=impossível de prever".
Hoje fui de novo confrontada com esta realidade. Desta vez foi uma pessoa que me é particularmente querida e que possivelmente tem uma forma de cancro especialmente má. E não consegui parar de soluçar com toda a baba e ranho durante um bom bocado, não pela falta que indubutavelmente me fará se morrer antes de mim (seja qual for o motivo) mas pela provação que ela e o marido em particular terão de enfrentar os próximos tempos...
Não existem palavras para esta sensação esmagamento... E ao contrário do meu racional amigo, sim, eu sinto-me zangada - sim, por mais estúpido que seja dizer que achamos injusto estar a chover...
Curiosamente, recebi hoje um mail que dizia que "viver é estarmos sempre preparados para dizer adeus". Oxalá a única dor dos adeus fosse a da saudade...
Homem superior é aquele que começa por pôr em prática as suas palavras e em seguida fala de acordo com as suas acções.
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