"But the attitude of faith is to let go, and become open to truth, whatever it might turn out to be." Allan Watts / "Finish your goddamn plate" Joshua Fields Milburn
quarta-feira, agosto 29, 2007
domingo, agosto 26, 2007
- O que achas que a tua mãe queria dizer?
- Que todas as minhas indecisões... estar dividida entre Paris e Israel, judeus e palestinianos, São Jorge e o dragão... podiam nunca ter fim. O importante é não parar enquanto esperamos para decidir. Já não sou rapariguinha nenhuma. Tinhas razão naquilo que disseste sobre não entrar em greve outra vez. Apesar do meu medo, e de tudo o que fiz de errado, e de todos os meus graves defeitos, tenho é de não parar de andar."
Richard Zimler, in "À procura de Sana", pp. 279
sábado, agosto 25, 2007
Nina Simone: Here Comes the Sun
Mais uma descoberta fantástica da minha mana... Estou viciada em Nina Simone :))
domingo, agosto 19, 2007
Vale a pena
VIAGENS COMENTADAS – III Ciclo
Visitas Guiadas
Data: De Julho a Agosto, todos os Domingos, às 11h00
Local: Local de partida: Jardim da Cordoaria (frente ao café Piolho)
VIAGENS COMENTADAS – III Ciclo
Viajar no tempo, reviver o passado, conhecer caminhos e locais históricos da cidade que inspirou poetas e pintores a bordo de um carro eléctrico.
Duração: 1h30
Preço: 3,50 euros
Marcações: 226 158 182; ovieira@stcp.pt
Para mais informação: Museu do Carro Eléctrico, Alameda Basílio Teles, 51 http://museu-carro-electrico.stcp.pt
sábado, agosto 18, 2007
Só de Sacanagem
(Elisa Lucinda - narrado por Ana Carolina)
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar? Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voam entupidas de dinheiro, do meu, do nosso dinheiro que reservamos duramente para educar os meninos mais pobres que nós, para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais, esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade e eu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai, minha mãe, minha avó e os justos que os precederam: "Não roubarás", "Devolva o lápis do coleguinha", "Esse apontador não é seu, minha filha". Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até hábeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste: esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará. Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé do meu
povo sofrido, então agora eu vou sacanear: mais honesta ainda vou ficar.
Só de sacanagem!
Dirão: "Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo mundo rouba" e vou dizer: "Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez. Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês. Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau."
Dirão: "É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal". Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? Imortal! Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final!
domingo, agosto 12, 2007
Inscrição na lápide de Marcel Duchamp e família:
(De resto, são sempre os outros que morrem.)
quinta-feira, agosto 09, 2007
Memories
Foi uma sensação estranha, não sabia dizer a priori se me recordava o suficiente da cantiga para a acompanhar... Mas, na verdade, ainda a sabia!
Naquela linda manhã
estava a brincar no jardim
A certa altura a mamã
chamou-me e disse-me assim:
Não brinques só a correr
tropeças sem querer
cais e ficas mal
respondi pronto está bem
depressa porém
esqueci-me de tal...
Não me lembro depois como foi
Escorreguei caí no chão
No joelho ficou um dói dói
No nariz um arranhão
Desde então procurei ser melhor
por ser mau fui infeliz
faço agora
tudo quanto
a mamã
me
diz.
quarta-feira, agosto 08, 2007
Idade
Gosto muito da minha avó. Se não fosse pelo simples e inexpugnável facto de que ela é minha avó, gosto também muito da "Ti'Helena" porque tem sentido de humor e apesar de toda a gente a temer um pouco, ela dá-me - a mim em especial - espaço para lhe dizer as maiores barbaridades, coisa que a faz sempre sempre sorrir.
Isso não significa que eu não perceba os seus defeitos.
Em geral, a minha avó nunca foi uma pessoa doce ou meiga. Incapaz de uma palavra suave ou de apoio, toda a vida (e sobretudo depois da morte do meu avô) achou que podia por e dispor de tudo e todos à sua volta, sem pedir licença ou usar delicadeza.
Fez muita coisa questionável, mas essa não foi nem de longe nem de perto a sua "perdição".
O que realmente a "perdeu" foi o nunca ter percebido como chegar aos outros, mesmo aos mais próximos por meio de carinho e afecto. Foi o não perceber que o mundo não gira à sua volta, a tempo de ser feliz. Foi o ter falhado na compreensão de que se queremos amor e respeito, temos de dar amor e respeito.
Esta falta de clarividência não só a isolou (porque ninguém quer visitar uma mulher resingona que tudo o que sabe é dizer mal de quem a vai ver) como a diminuiu fisicamente. Aos poucos, deixou de fazer a malha e o crochet em que era tão exímia, porque não queria deixar nada às noras e ganhou artrites; deixou de caminhar porque se zangou com os vizinhos e vendeu a horta; deixou de procurar coisas novas, porque se assumiu como velha.
E com todas estas opções tornou-se velha.
Aos poucos começou a ficar senil e a esquecer-se dos medicamentos e das velas acesas. Começou a temer e a sismar que a roubavam os filhos e os netos. E deixou de poder estar sozinha em sua casa, onde era de facto quem mandava, porque ninguém quis o peso na consciência de deixar assim morrer a sua mãe.
Então começou o seu périplo pelas casas dos filhos que, frustrados com a constante falta de reconhecimento ou bons modos e zangados pelos ataques ferozes e frequentemente injustos, desistiam um a um de tomar conta dela, de a ter em suas casas. À medida que mudava de poiso, maldizia a casa e onde viera, de forma audível e rude, insinuando maus tratos e abusos. Se a princípio havia desconfiança entre os irmãos, com a verificação de que o padrão era o mesmo para cada um deles, foi-se gerando um clima de insatisfação, até que passado o último reduto de tolerância, todos decidiram pô-la num lar de idosos.
O lar é muito bom, mesmo. E nota-se que as pessoas lá a tratam bem e também gostam dela. Certamente deve ter os seus acessos de fúria, mas está bem tratada. No entanto, é inegável o quanto envelheceu nestes meses e como se molham os seus olhos quando se lhe pergunta como é que ela se está a dar no lar.
Uma onda de compaixão invadiu-me, quando a vi. Mas, algumas horas depois, tornou-se claro que a sua rigidez, soberba e ausência de consideração tornariam impossível a convivência ou a paz... E então aceitei.
Aceitei que as pessoas que amamos nem sempre são quem gostaríamos que fossem e que nem sempre podemos ou temos a capacidade de fazer por elas tudo o que gostaríamos. Aceitei que a minha avó também tem ainda muito que aprender e que essa caminhada é só dela e nada do que eu diga ou faça a tornará uma pessoa mais doce, nem mais feliz... A única coisa que eu realmente posso fazer é aceitá-la tal como ela é, preocupar-me com ela e continuar a meter-me com ela como até aqui. Ser feliz, ou não, é uma opção apenas sua.
Às vezes as verdades de La Palisse também custam a aceitar.
domingo, agosto 05, 2007
Ontem, depois das 22h
Faz com que o vinho não se acabe nos tonéis
E que a aguardente seja da mais forte
Juro e jurarei, beberei até à morte
Quando eu morrer não quero ir num caixão
quero ir num pipo de vinho da nossa região
Da nossa região, que é a Bairrada
Quando eu morrer, quero ir com uma carrada.